A moda das ações envolvendo bloggers acaba por gerar uma discussão interessante do ponto de vista ético. Não obstante do padrão “mais do mesmo” que vem se repetindo incessantemente pelas agência ditas criativas, o Safari Urbano surge como algo que parece transpor o limite da “cortesia voluntariosa”.
Convidar bloggers para um suntuoso passeio sortido de regalias que muitos deles não poderiam conferir por conta de seu padrão econômico, a troco de testarem um novo celular da marca patrocinadora do evento, pode soar como um “descompromisso” tão compromissado a ponto de exercer uma pressão psicológica sob seus ilustres convidados.
Obviamente, grandes anunciantes podem ser dar ao luxo de oferecer “mimos” desta natureza, no entanto, isso bate de frente com os valores éticos pregados por aqueles que querem firmar o universo dos blogs como mídia alternativa às tradicionais.
Mas, peraí. E onde fica o ROI (retorno do investimento) nessa história?
Ao questionar um dos idealizadores da ação, recebi algumas respostas que não acabaram por me convencer:
enloucrescendo @rodrigoprior só os artigos garantem que sua marca seja falada para um público gigante, por um formador de opinião. on e offline.
enloucrescendo @rodrigoprior ROI é medido pelas mais de 100 meções no Twitter, mais as centenas de fotos, e dezenas de artigos, sobre a ação e o celular
Primeiramente, a “garantia de que sua marca seja falada por um público gigante” é algo muito subjetivo. Quantas das pessoas que comentaram a ação realmente se interessaram pelo aparelho? Agora, falarmos de formação de opinião, principalmente quando o público alvo é o referido consumidor potencial do aparelho (que não custa nem um pouco barato, o que aumenta a seletividade na hora das influências para aquisição) torna-se um assunto delicado. Utilizar tal argumento chega a ser uma afronta à inteligência dessas pessoas.
É errôneo tenta resgatar conceitos antigos como o da formação de opinião para um ambiente onde existe abundância de informações e as pessoas possuem parâmetros sólidos o bastante para estabelecerem sozinhas seu ponto de vista sem a dependência de influência alheia. Logo, todo o contexto da ação (que pode ser facilmente pesquisada e encontrada através da própria Internet) certamente é passível de ser visto com olhos de descrédito.
Quanto a medir ROI, através do número de menções no Twitter, parece uma armadilha bem atraente.
Podemos observar centenas (ou até mesmo milhares) de pessoas discutindo a ação, ou qualquer outro assunto ou produto, porém, sem podermos afirmar qual seria o teor ou o nível de influência exercido por tal conversação do coletivo.
Este post é uma prova de que a fórmula “fale bem ou fala mal, mas fale de mim” não é válida quando o assunto envolve a intenção de divulgação de um determinado produto ou serviço para um público capaz de buscar as informações necessárias para chegarem a uma opinião independente das influências alheias.
Gostaria de conhecer outras opiniões e pontos de vista a respeito da questão, claro, mantendo uma discussão sadia e construtiva.
Conto com o bom senso de vocês.
